sexta-feira, 7 de outubro de 2011

:: sexta 07out11 ::





No meio de setembro eu passei pela Av Salvador Alende com o sol nascendo, era pouco depois das 5h da matina, indo para o Galeão pegar um voo e fiquei impressionado com o sol nascendo entre as estruturas que tavam se levantando na cidade do Rock (in Rio).
Na terça de manhã foi a mesma coisa. Um pouco mais tarde (já devia ser quase umas 7h) só que dessa vez eu lembrei de preparar o celular e tirar uma foto para guardar aquele momento além do que só no HD interno.
E a 'coincidência' é que começou a tocar uma música muito boa do Jorge Drexler do meu pen drive: 'Todo se transforma'. Baita som!
Aquilo que há um mês atrás ainda estava totalmente diferente, imaginar que há mais de um ano atrás era um barral descampado e se transformou numa cidade. Que coisa fantástica essa capacidade de transformar.
É claro que isso é um projeto imenso, ai fica impossível da mudança ser invisível... mas, o massa da música é que ela fala sobre a transformação das coisas pequenas, da gota do vinho que caiu, do sapato que viajou, ... nada se perde, tudo se transforma (diz a letra dessa música excelente).
Realmente, nada se perde! Tudo fica com a gente! Nada morre, só muda de lado! A beleza de entender que a vida e a morte, seja do que seja (desde um objeto até uma vida) são a mesma moeda, as duas faces dela. Nada morre, nada se perde, tudo se transforma!
Beijos e Abraços

PS: vou colar aqui abaixo para reler ele agora, um baita texto do livro 'Os Jogos de Maya' da excelente filósofa Délia Steinberg Guzman:


------------ A vida e a morte -----------

- Viva, que felicidade! Acaba de nascer um menino! Nosso filho chegou à vida!
Assim festejam os homens a aparicao de um novo ser sobre a terra. tudo parece pouco para este pequeno corpinho que necessita da protecao mais absoluta e dos cuidados mais carinhosos. Beijos, presentes, lagrimas de alegria e emocao, balizam o acontecimento da vida.

- Que grande dor! Quanta pena se aninha em minha alma! Acabo de perder um ser querido.
Asssim choram os homens o desaparecimento de quem os acompanha e o sumir-se neste obscuro misterio da morte. Lagrimas de tristeza, luto e desolacao marcam a pasagem de uma alma de um mundo ao outro.

Poucas vezes nos detemos a pensar de onde viemos ao nascer. Ja nao se trata da questao religiosa nem filosofica da origem das almas. Trata-se de algo mais simples: se chegamos à vida, é porque viemos de alguma outra parte, seja esta qual seja, e seja como seja. Por acaso nao deixamos seres tristes e choroso nessa outra parte quando a abandonamos, para nos dirigirmos à terra dos vivos? O que os pais festejam com alegria, nao sera uma dor para outros pais imateriais, que veem partir uma alma que lhes acompanhava até esse momento?
E quando morremos e deixamos a terra, para onde vamos? Se de algum lugar viemos, é certo que para um outro lugar iremos. No infinito nao cabem limites definidos. E ali onde vamos, nao seremos recebidos com risos e alegrias de reencontro, enquanto nossos parentes nos choram na terra?

A vida e a morte sao duas faces de uma mesma moeda: VIDA. Os que aqui estamos, viemos de alguma parte e para outra nos dirigimos, porem, jamais deixamos de ser.
O que os homens chamam de vida, é a aparicao manifestada em materia de uma alma nessa terra. E o que os homens chamam morte é a mesma alma que, despojada da materia, nao pode sobreviver neste mundo e se dirige a outro.
A vida terrestre é o reino da forma. E é aqui onde Maya (ilusao) se torna forte e segura. Ela joga com a vida, ela joga com as formas, as varia e as adapta para conseguir sua comissao: mais vida material, mais forma, mais multiplicacao.
Quando as formas aparecem no mundo de Maya, assumem pequenas proporcoes. É a defesa da ilusao para proteger os jovens corpos. Ninguem pode deixar de sentir compaixao e ternura diante de uma pequena vida. Um bebe, um pequeno animalzinho, uma plantinha que se abre... tudo induz ao cuidado e ao carinho. Os homens se inclinam nao apenas ante seus pequenos filhos, mas ante os pequenos animais, por mais perigosos que eles possam tornar-se depois. Um grande tigre e um filhote de tigre nao sao a mesma coisa; um é uma fera terrivel, o outro é terno e suave. Mesmo os animais se comovem diante dos filhotes; a mesma fera que ataca os homens, protege seus bebes, porque Maya cobre os olhos furiosos com a venda da compaixao: deve-se salvar a vida custe o que custar; essas formas requerem muito esforco e paciencia para serem destruidas de uma so vez.
Quando as formas... suas existencia no mundo de Maya podem valer-se por si mesmas e, entao, nao despertam ternura, mas competencia. É a luta pela subsistencia, onde o mais forte sobrepoe o mais debil. O amor pode atenuar esta luta, porem, a rigor, tudo é uma questao de forca, quer seja fisica, psiquica, mental ou espiritual. Sempre ganha o mais forte, em qualquer campo. As competicoes esportivas que tanto entretem os homens, sao um jogo copiado de outro jogo de Maya, aplicado à competencia do viver diario.
Antes que as formas declinem e se desgastem, elas devem cumprir com o dever fundamental que Maya lhes impoe: continuar produzindo formas. Com mil veus e argucias, Maya fará com que novos corpos assimem à vida material, para isso tendo que valer-se dos corpos que ja existem. O egoismo natural dos vivos, faria com que eles nunca se reproduziessem, a nao ser pelo jogo de maya, pelo engano do prazer, pela ilusao de ser ele mesmo quem toma a decisao de multiplicar-se.
E logo chega a decadencia das formas. É a etapa final, a qual os homens chamam de velhice. As coisas velhas já nao inspiram ternura, nem exibem competencia. Sao elementos secos e desgastados que necessitam de substituicao. Boa despedida da vida, para nao enamorar-se excessivamente do brilho das formas. A alma so pede livrar-se da casca usada, para recobrar em outro lugar ideal, a ligeireza e o encanto que um corpo pesado ja nao permite irradiar. E a propria Maya acelera o processo com uma forma de abulia e sonho sem fim, porem, jamais perde energias, pois as velhas formas se renovarao no fundo da terra ou nas frageis cinzas. Nada se perde, tudo se transforma.
Vida e morte sao as duas faces de uma mesma moeda, e dois momentos de um jogo perpetuo que repete seus instantes, produzindo aquilo que o homens chamam ciclos.
Toda a Natureza joga ciclicamente: o dia e a noite, o sol e a lua, o verao e o inverno, o sonho e a vigilia, a infancia e a velhice... Se tudo gira, se tudo retorna, se as proprias arvores que estavam secas se cobrem de verdor, e o proprio mar que estava abaixo aumenta com aguas poderosas, por que os homens teriam de escapar deste jogo?
Nao ha casualidades. Ha uma perpetuacao jogo de Maya que, sob a lei da causalidade nos atrai e nos obriga a cumprir com a propria experiencia. Viver e morrer as cegas, jogando com Maya..., ou viver e morrer conhecendo as regras do jogo...: isso é questao de evolucao.